sábado, 11 de abril de 2015

"Chapa Quente": nem comédia popular, nem humor elegante

O primeiro episódio de “Chapa Quente”, anteontem na Rede Globo, chegou ao fim deixando no ar algumas interrogações em torno de suas intenções. O programa se valeu do humor bem popular, mas fez isso com pudor. Por outro lado, não teve a densidade daqueles enredos mais sofisticados que usam uma nota de tristeza e de ironia fina, como “Tapas & Beijos”, “Pé na Cova” ou “A Grande Família”. Em alguns momentos, a atração cresceu. Mas, no geral, vimos caretas, gritaria e escatologia. Em outras palavras, ficou no meio do caminho.
O elenco é quase todo composto de figuras carimbadas do gênero. Portanto, Ingrid Guimarães e Leandro Hassum (foto acima dos dois) simplesmente repetiram antigos (e eternos) personagens. Pareciam estar em mais uma daquelas comédias de grande bilheteria que ambos frequentam. Por isso, destacaram-se Tiago Abravanel, Lúcio Mauro Filho e Renata Gaspar. Os excessos acabaram contagiando, e prejudicando, até o ótimo Tonico Pereira, que fez um Mendonça que arregalava os olhos (um tique repetido por vários dos atores a noite toda) e lançava mão de trejeitos faciais.
A assinatura de Cláudio Paiva, um dos grandes roteiristas da Globo, esteve na boa condução da trama e em seu desfecho moralmente correto, mas não moralizante. O enredo deu direito a uma surpresa final, com a manicure escolhendo o amor bandido e preterindo o policial. Também vimos qualidade no texto nas referências à economia do país. Porém, tudo isso reforçou essa impressão de que, se tivesse apostado mais na sutileza e na emoção, “Chapa Quente” ganharia um certo peso. Pena que, anteontem, nada disso esteve em primeiro plano. Não foi uma grande estreia, mas há ali possibilidades que, bem exploradas, podem levar à boa diversão.

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