Com medo de novas ações na Justiça, a TV Record decidiu suspender
durante pelo menos três meses o processo em que irá entregar a produção
dos programas de Geraldo Luís, Rodrigo Faro, Sabrina Sato e Marcos Mion
para Gugu Liberato (foto), visando reduzir custos. A decisão, anunciada em
reunião de cúpula pelo bispo Marcus Vinicius Vieira, hoje o principal
executivo da emissora, por foi tomada após revés judicial com a
terceirização da produção de novelas no RecNov, no Rio de Janeiro.
Na semana passada, a Justiça Trabalhista determinou a recontratação
de 600 funcionários demitidos no final de 2015, após o término de "Os Dez
Mandamentos". O RecNov foi arrendado pela produtora Casablanca, que
assumiu a produção de novelas e do programa de Xuxa Meneghel.
No caso de Gugu, trata-se apenas de uma paralisação, não de uma
desistência da parceria. A Record já acertou com o apresentador, na
renovação de seu contrato, que sua produtora, a GGP, irá assumir a
produção dos programas de auditório gravados nos estúdios da Barra
Funda, na zona oeste de São Paulo. Para tanto, Gugu irá construir um
novo estúdio na GGP, em Alphaville (Grande SP), e a Record irá
equipá-los em comodato.
Defensor da terceirização, o bispo Marcus Vinicius Vieira vai esperar
baixar a poeira do processo contra as demissões no RecNov para então
encaminhar a terceirização dos programas com Gugu. Isso quer dizer que
demissões serão adiadas, não evitadas.
Em sentença assinada no último dia 16, a juíza Joana de Mattos
Colares, da 44ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, determinou que a
Record recontrate 600 empregados dispensados no RecNov no final do ano
passado e proibiu a emissora de promover novas demissões em massa sem
negociação prévia com sindicalistas. A emissora vai recorrer da
decisão.
A decisão afeta apenas a terceirização do RecNov, mas pode
influenciar a Justiça de São Paulo, teme a Record. A emissora demitiu
cerca de 1.000 profissionais em São Paulo durante todo 2015, mas o fez
de forma discreta, a conta-gotas, sem caracterizar corte em massa. O
sindicato dos radialistas de São Paulo, no entanto, vem combatendo o
processo de terceirização, e o Ministério Público do Trabalho (MPT)
segue observando o processo de perto. A Record quer evitar agora
movimentações que possam gerar vitórias dos sindicalistas e do MPT na
Justiça, causando danos ao processo de terceirização dos programas
gravados em SP.